quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

our broken garden



when your blackening shows
originalmente postado aqui

Ainda a Costa ...

Este post de vidro duplo, com imagens com quase 70 anos da Costa da Caparica e da Trafaria, deu-me o caminho para a Galeria de Fotografias do Estúdio Mário Novais pela Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian
 Nas imagens que Sara postou, imediatamente identifiquei várias coisas que não existem mais. E a propósito, lembrei-me deste meu post de dias antes...
Não foram só os barcos com olhos nas proas elevadas ao sol que desapareceram da Costa da Caparica, não... Desapareceu aquele imenso areal e desapareceu também a Ilha do Bugio...
Conta quem viveu na Trafaria há 70 anos, que era normal ir até ao Farol do Bugio durante a maré baixa!
Impossível imaginar tal coisa, para quem, como eu, nunca viu a ilha ligada sequer à Trafaria, quanto mais até ao farol...
Coincidência ou não, consta que a Ilha do Bugio se foi fracturando e separando da Trafaria, desde a construção do Cais da Rocha-Conde de Óbidos, em Alcântara, até à conclusão da Doca-Pesca em Pedrouços-Algés.

Coincidência ou não, a Costa da Caparica começou a perder areal e foi necessária a intervenção do LNEC com colocação quebra-mares para travar o desaparecimento de praias.
Por volta de 1990, o areal do Bugio recuperou um pouco. Ganhou até uma mancha apreciável de vegetação. Logo apareceram uma porção de ideias para o aproveitamento da ilha, esboços de um cais ligado à Trafaria para navios de cereais, outros para aproveitamento turístico com palmeiras e hotéis, Isaltino conquistou aquele banco para Oeiras, etc... 
Coincidência ou não, depois do passeio Marítimo em Algés e da torre de Gonçalo Byrne para a APL, aquele banco de areia que encalhava golfinhos e iates, quando não atraía domingueiros em jetski, desapareceu... 

Coincidência ou não, o farol que parece um Bolo de Aniversário esteve quase a ir ao fundo, as areias da Costa da Caparica desapareceram ainda mais, caíu o paredão e o restaurante do Barbas, sem que fosse constatada uma importante subida das águas por via do aquecimento global. 

Ao lado, está a imagem que nos resta onde antes havia uma ilha que todos queriam...

domingo, 4 de janeiro de 2009

mocho galego



Mocho Galego, é uma designação meia popular, para uma coruja comum do Oeste da Península Ibérica. De pequeno porte, é pouco maior que uma pomba, tal como outra ave de rapina comum das mesmas regiões, o falcão peneireiro.
Ambas estas aves selvagens, estão adaptadas à presença do homem, e é normal "invadirem" espaços antes "seus", como urbanizações perto de searas ou campos abertos.
Curiosamente ou talvez não, os Mochos Galegos estão em extinção por quase toda a Europa central e na Inglaterra.
Como todas as corujas, piam em tom alto.
Estas aves, são facilmente tentadas à mímica, balançado-se lateralmente se as provocarmos com esse gesto, ou até respondendo com piados se as chamarmos desse modo.
Há muito que observo estas corujas, mas nunca consegui uma foto minimamente apresentável. As que mostro aqui, tomadas em Azeitão, foram-me oferecidas por um familiar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano Novo



foi giro estar no meio duma multidão alegre



bonne et heureuse année


Há um ano, postei este belo e fortíssimo texto de Mario Pelchat, num outro local.
Transcrevo-o de novo:

Bonne et Heureuse Année à tous ceux qui n'ont rien dans les bras, que les battements tristes et gratuits
dont les yeux brillent de toutes les larmes retenues,
dont le front résonne de coups atroces et silencieux
dont les paroles ne traduisent plus les pensées parce que ces pensées sont douloureuses.

Bonne et heureuse année à tous ceux dont les actes ne sont plus que des symboles
dont les attitudes sont pétries de courage;
qui redressent le dos pour cacher leur peine,
qui marchent seul pour marcher droit ... mais qui marchent.

Bonne et heureuse année à tous les humains brisés,
à tous ceux qui ne font pas ce qu'ils aiment
et à tous ceux qui aiment ce qu'ils ne disent pas.

À tous ceux que vous frôlez le sachant bien
et à tous ceux qui vous frôlent ne le sachant même pas.

Bonne et heureuse année à tous ceux qui portent en eux blessures vraies,
un immense néant fait de tous les arrachements.

Bonne et heureuse année à ceux dont c'est la dernière et qui s'en doutent
et à ceux dont c'est la dernière et qui ne s'en doutent pas,
à ceux qui n'ont pas la force d'y penser
et à ceux qui n'ont pas la faiblesse de l'avouer.

À ceux qui n'osent pas vous regarder parce que leur regard, peut-être, les trahiraient.
Et qu'ils veulent garder pour eux seuls, leur terrible secret.

Bonne et heureuse année à ceux qui sourient pour voiler le chagrin de leur âme,
badinent pour masquer la grimace de leur coeur,
crient pour taire la panique de leurs yeux,
jouent la comédie pour ne pas assombrir des vies.

Bonne et heureuse année à certains heureux aussi que j'oubliais,
à ceux qui portent leur tête, leur coeur et leur âme aussi légèrement qu'un poids d'hélium.

Bonne et heureuse année à ceux que le plaisir égare et dont le sang charrie tout l'idéal
car pour eux suffit l'apparence charnelle de la vie.

Bonne et heureuse année enfin à ceux qui possèdent le détachement de l'esprit
et à ceux qui soignent les corps ou les âmes,
à ceux dont le coeur bat généreusement
et à ceux qui, luttant pour la justice, veulent établir le règne de la paix.

À tous ceux qui sont purs dans leurs pensées et leur amour.

Bonne et Heureuse année à vous tous qui donnez un sens divin à l'humanité.



Tradução:

Bom e Feliz Ano a todos os que nada têm nos braços, que os abraços tristes e gratuitos
àqueles cujos olhos brilham de todas as lágrimas retidas,
àqueles cujas faces revelam golpes atrozes e silenciosos
àqueles cujas palavras não mais traduzem os pensamentos porque esses pensamentos são dolorosos.

Bom e Feliz Ano a todos cujos actos não são mais que símbolos
cujas atitudes são forjadas de coragem;
que endireitam a costas para esconder a sua pena,
e que andam únicamente para andar direitos ... mas andam.

Bom e Feliz Ano a todos os humanos vergados,
a todos os que não fazem o que gostam
e a todos os que gostam de quem eles não dizem.

A todos os que vos tocam sabendo-o efectivamente
e a todos os que vos tocam mesmo não o sabendo.

Bom e Feliz Ano a todos os que levam neles feridas verdadeiras,
um imenso nada, feito de todas as extorsões.

Bom e Feliz Ano àqueles que é o último e que se duvida
e àqueles que é o último e que não se duvida,
aos que não têm a força de o pensar
e aos que não têm a fraqueza de confessá-lo.

Aos que não ousam olhar-vos porque o seu olhar, talvez, os trairia.
E que querem guardar para eles unicamente, o seu terrível segredo.

Bom e Feliz Ano aos que sorriem para encobrir a tristeza da sua alma,
galhofam para mascarar a carantonha do seu coração,
gritam para calar o pânico dos seus olhos,
usam a comédia para não escurecer as suas vidas.

Bom e Feliz Ano a certos felizes, também, que esquecia,
aos que levam a sua cabeça, o seu coração e a sua alma tão ligeiramente como um peso de hélio.

Bom e Feliz Ano aos que o prazer extravia e cujo sangue transporta todo o ideal
porque para eles é suficiente a aparência lasciva da vida.

Bom e Feliz Ano por último aos que possuem o desprendimento do espírito
e aos que tratam os corpos ou as almas,
àqueles cujos corações batem generosamente
e aos que, lutando pela justiça, querem estabelecer o reino da paz.

A todos os que são puros nos seus pensamentos e no seu amor.

Bom e Feliz Ano a vós todos que dão um sentido divino à humanidade.