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domingo, 18 de junho de 2017

Indesculpável


Indesculpável.
Como é que se morre engolido pelo fogo numa estrada?
Como é que uma estrada em risco não foi cortada à circulação?
Porque é que as estradas que atravessam florestas AINDA têm árvores perto das bermas?
Não foi a 1ª vez que isto aconteceu!
Ainda em Agosto do ano passado, até a A1 foi cortada ao trânsito por causa do fogo!
Não há desculpa! Nem que um raio caia isto não pode acontecer!
É inaceitável tamanha incompetência.
Então a Protecção Civil, os Bombeiros, as Autarquias, as Estradas de Portugal, a GNR, enfim, os profissionais que estudaram estes fenómenos e que sabem como actuar nestes casos, ou enfim, quem de direito, não previram que havia estradas em risco e que tinham de ser fechadas à circulação?
Será desta, também, que acabam as árvores à beira das estradas nas matas e florestas, para que se evitem estes corredores de fogo e os saltos das chamas de um lado para o outro das estradas, salvaguardando a circulação das pessoas e dos próprios meios de socorro?
Pobres vítimas! E pobres das famílias, vítimas também!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Há 25 anos

O Lancia 037 de Attilio Bettega na Volta à Córsega de 1985 , o Ford RS 200 de Joaquim Santos no Rali de Portugal de 1986, o Lancia Delta S4 de Henri Toivonen na Volta à Córsega de 1986, o FORD RS 200 de Marc Surer no Rali de Hessen na Alemanha. Foram estas as máquinas protagonistas de uma série de acidentes terríveis e fatais em apenas pouco mais de um ano. Máquinas impressionantes, mas impossíveis de controlar perante o mais pequeno percalço, fosse por falha de trajectória, ou por obstáculo inesperado. No YouTube, existem testemunhos de todas estas fatalidades. À excepção do caso Português, os tripulantes foram vítimas fatais desses acidentes. Surer salvou-se, mas não o seu co-piloto.
Em Portugal foi diferente por uma multidão de gente que nem no Targa Florio se vira. O despiste do RS 200 de Santos teve consequências dramáticas e fatais para muitas pessoas. Este, foi o acidente que determinou o fim dos Grupo B. Foi há 25 anos:


originalmente postado no CarVice

sábado, 19 de março de 2011

Dos Arquitectos de Angola


Porque desde a Monarquia que foram deportados e até classificados como brancos de segunda, a comunidade de origem Europeia em Angola e noutras então "Províncias Ultramarinas", constituíu um pulmão de alguma liberdade relativamente ao regime da "Metrópole", até para algumas entidades governativas e militares locais. Não foi por acaso, que uma grande parte dos chefes militares que organizaram a revolução de 25 de Abril de 1974, eram provenientes do "Ultramar"...
Mas não só ao nível dos poderes se fazia sentir esta relativa liberdade, em muito ajudada pela imensidão de terrenos paradisíacos, quentes, ricos e férteis. Em Angola, criava-se e produzia-se com modernidade e prosperidade e respirava-se um sentimento de autonomia.
Dezenas ou até centenas de milhares de pessoas foram para Angola para se afastarem do sufoco inquisitório do poder, que lhes tolhia as suas profissões e suas vidas.
Foi o caso dos Arquitectos que deram forma a cidades, arruamentos e estátuas por toda a Angola, conferindo aquele carácter de modernidade que espantava quem lá ia pela primeira vez, tal como ainda hoje acontece, apesar da degradação e adulteração presente.
A forma trapalhona e até criminosa como foi tratado o processo de independência, arruinou todo um sonho de construção de um país.
Sobre o exemplo da Arquitectura e Urbanismo, segue-se um artigo do jornal Expresso:

Arquitectura

Geração africana

Uma geração de arquitectos portugueses deixou uma vasta obra em Angola e Moçambique. Realizada no terceiro quartel do século, esta foi uma produção de vanguarda extremamente inovadora e realizada no espaço colonial africano que importa agora salvaguardar


Cine-esplanada Flamingo, Lobito, Angola, de Francisco Castro Rodrigues, 1964

Pouco ou nada conhecidos, nem na sua vida nem pela sua obra, foram no entanto aplicados construtores da África do século XX, no planeamento e no urbanismo, na arquitectura e nas artes. Falamos da «geração heróica» dos arquitectos portugueses que, nascidos sobretudo nos anos 10 e 20, formados no pós-guerra nas escolas de Lisboa e Porto, foram viver e trabalhar sobretudo para Angola e Moçambique ao longo das décadas de 40, 50 e 60.

Alguns já ali viviam, inseridos no meio colonial, e vieram à Metrópole de então completar os seus estudos. Foi o caso de Vasco Vieira da Costa (1911-1982), natural de Aveiro, que estudou-trabalhou com Le Corbusier e tem uma obra notável em Luanda, desde o inovador mercado Quinaxixe (de 1950-52, quando muitas obras homólogas do Portugal ibérico eram tradicionalistas e revivalistas), ao bloco da Mutamba (dois grandiosos prismas ao alto, de 68-69, hoje o Ministério do Urbanismo e Obras Públicas).

Mas outros, então recém-formados, foram para África «para se libertarem», para seguirem a sua vida profissional de um modo mais aberto e moderno, coisa aparentemente simples e normal, mas que sentiam lhes era de algum modo negada ou dificultada na pátria europeia.


Sede do Governo do Niassa, de 1966/68, do arquitecto João José Tinoco

Foi o caso do talentoso José Pinto da Cunha, com fama de autor de inúmeras moradias «para ricos» em Luanda, mas sobretudo criador de obras luandenses arrojadas e inovadoras, entre 63 e 67, como o vasto complexo da Radiodifusão de Angola ou o moderno Bairro Prenda (um vasto conjunto tipo Olivais lisboetas, «em bom»). Cunha era filho de um dos mais repressivos professores da Escola de Belas-Artes de Lisboa, que chegou a provocar uma autêntica «migração forçada» de alunos, chumbados colectivamente em 42, para concluírem curso no Porto.

Foi também o caso de Castro Rodrigues (1920), o assinalável «arquitecto do Lobito», que com generosidade e talento ofereceu a sua vida profissional à que se tornou na época a segunda cidade angolana. Apesar de vigiado pela PIDE, Rodrigues conseguiu fixar-se no Lobito em 53 e lá realizou uma verdadeira «obra global», enquanto discreto mas activo funcionário municipal. Foi planeador, urbanista e arquitecto, realizando para a novas áreas de expansão urbana muitos dos melhores equipamentos (entre 64-66), em desenho caracteristicamente leve e moderno, como o liceu, o mercado, o aeroporto, o elegante cine-esplanada Flamingo. Rodrigues teve um percurso excepcional em Angola, pois «ficou», por adesão e gosto, depois das independências, contribuindo para a organização do curso de arquitectura da jovem RPA, até 87. Convidado pelo município do Lobito para as comemorações da cidade, ali voltou em 93, honrado e comovido.

Já o arquitecto natural de Luanda Fernão Simões de Carvalho, que também tirocinou no atelier de Le Corbusier, é uma figura de actividade mais diversificada, com obras em Luanda, mas também em Lisboa e no Brasil. Entre 63 e 65, foi autor, com Pinto da Cunha, do hospital do Lubango (ex-Sá da Bandeira); e, também com Fernando Alfredo Pereira, do Bairro Prenda luandense. Teve uma intervenção persistente, formativa e continuada no planeamento municipal de Luanda.


Habitação colectiva para os funcionários dos CTT, em Luanda, de Simões de Carvalho e Lopo de Carvalho

Muitos outros autores e obras com modernidade seriam listáveis em Angola e Moçambique; numa primeira pesquisa, consegue-se agrupar mais de meia centena de nomes de arquitectos ali fixados.

Em Angola, refiram-se ainda nomes como o de António Campino, com o Hotel Presidente ou a Auto Avenida, em Luanda; o dos irmãos Garcia de Castilho, pioneiros da década de 50, que edificaram em Luanda o grandioso Cinema Restauração ou o edifício Mobil (1951); o de Fernando Batalha (1908), que trabalhou para os Monumentos Nacionais de Angola; o de Pereira da Costa (com o Prédio Cirilo, do «ciclo do café», de 59); o de Luís Taquelim (nascido no Algarve, ao que parece autor do Hotel do Moxico/Vila Luso).

E sem esquecer passagens mais fugazes, mas assinaladas por uma acção inconformista, como a de Francisco Silva Dias (1930), que lhe valeu a demissão da Câmara de Luanda (atreveu-se a defender publicamente que o planeamento fosse liderado por arquitectos municipais!) - mesmo assim autor do projecto da escola técnica de Saurimo, na longínqua Lunda, de 59 (obra que há dias descobriu, surpreso, ter sido edificada); ou a de Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa Cabral, autores de uma pequena «minicidade industrial» moderna para a Empresa da Celulose (Alto Catumbela, Benguela - 58-59).


Estação ferroviária da Beira, de Francisco de Castro

Em Moçambique há também uma série de autores e obras de grande qualidade. Além de Amâncio Miranda Guedes (ou Pancho Guedes, Lisboa, 1925), já mais conhecido e premiado pela sua original e diversificada obra laurentina, e de outros mais novos (José Forjaz, Coimbra, 1936) - há que mencionar arquitectos injustamente desconhecidos ou esquecidos: João José
Tinoco (1983), autor de notáveis obras modernas
adaptadas ao contexto climático (aerogare de Nampula; sede do Governo do Niassa, em Lichinga, - 66-68); José Porto (1963), autor do portentoso Grande Hotel da Beira e de vários edifícios no centro da cidade, dos anos 40-50; Francisco de Castro (projectista da estação ferroviária da Beira); ou ainda Garizo do Carmo (cinema S. Jorge, Beira). E sem esquecer, de novo, os autores com passagem pontual pelo território, como José Gomes Bastos (1914-1991), autor do esplêndido e superdecorado BNU de Lourenço Marques (hoje o Banco de Moçambique no Maputo).

O que impressiona, no conjunto destas obras, é a dimensão inovadora e moderna, sem pudores, receios ou hesitações, embora criada em plena situação colonial, e em muitos casos «superprovinciana». O que se admira e estima é a grandeza de vistas, culturais, técnicas e artísticas de uma geração de «migrantes profissionais», que, trabalhando muitas vezes em contextos da administração oficial, pôde lançar «novas cidades», plenas de novíssima arquitectura moderna, pelas várias e vastas regiões dos territórios então luso-africanos. Sobretudo entre 1950 e 1975. Porque há que o dizer, um quarto de século depois da gesta terminada, com alguma objectividade, esta arquitectura e este urbanismo atingiram qualidade e dimensão superior à praticada na mesma época na «Metrópole».

E só uma situação de confiança plena na inovação, de entusiasmo colectivo, de consonância apesar das diferenças (entre Estado, promotores privados, acção municipal) e de entendimento e aceitação de uma nova escala geográfica, económica e social (com alguma ingenuidade e gosto pela descoberta, que é benéfica nestes casos) podem explicar este facto. Por contraste com uma sociedade metropolitana, que resistiu à modernização, na «África Portuguesa» do terceiro quartel do século foi possível experimentar e mesmo alimentar e instaurar a novidade e a modernidade dos espaços e das arquitecturas, num período de 25 anos, aliás único do contexto europeu, dado que os países europeus (democráticos no pós-II Guerra Mundial) tinham na quase totalidade abandonado já os territórios africanos coloniais até 60-61.

Neste período, ironicamente, Portugal foi assim o «caso único» de uma nação com regime político retrógrado a nível europeu que teve uma produção de vanguarda inovadora no seu espaço colonial africano.

Agora, olhando o futuro possível deste enorme legado material, entre cidades e edifícios, há que o saber inserir (o que sobra, e é recuperável) no contexto novo da reconstrução pós-guerras civis, nas novas nações da Guiné-Bissau, de Moçambique, e esperemos que em breve, de Angola. Conhecendo o valor do que existe, melhor o poderão recuperar, reutilizar e integrar.
Texto de JOSÉ MANUEL FERNANDES

Última actualização em 8/1/100 às 04:51:37.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

banda do entulho

... não toca mas faz barulho:


Este cartão, com perto de 100 anos, andava perdido.
Foi encontrado agora para a posteridade.

originalmente postado aqui

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ensimesmados tugas blogs


O blog (web log) é, por definição, um espaço de divulgação e partilha com interacção com os seus leitores.
Eu tenho vários blogs e tertúlias online em co-autoria com gente que apenas conheço por esta via.
Não é exactamente o caso deste blog, que basicamente funciona como uma espécie de recolha doutros do mesmo autor. Neste não há comentários abertos e é privilegiada a troca de correspondência privada.

Mas o que tem ocorrido com frequência em blogs que visito, é o ignorar e o apagar de comentários que nada têm de negativo.
E isto faz-me uma enorme confusão. Se esses blogs são de comentário livre e se os comentários não são ofensivos, porque são apagados?
Muitos têm os blogs para comunicar com uma espécie de teia de amigos ou club de afinidades e intenções. Os comentários também são livres, mas quando aparece um "extra club" é eliminado pouco depois.

Santa paciência, porque não fecham essas capelinhas dos olhares da via pública?

Existe nisto tudo uma ostentação inútil, cretina, tipicamente mesquinha: tristemente portuguesa, pois claro.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

o fabuloso Ricardo




Um Falstaff íntegro (e magro)

A morte é certa, mas a morte de um grande humorista é a mais certa de todas. Um grande humorista percebe a morte melhor do que os outros ­ e é por isso, aliás, que dedica a vida inteira a escarnecê-la. O riso é o grande fracasso da repressão, disse alguém que hoje mereceria mais do que o anonimato ­ e é a grande vitória (a única possível) da vida.
Raul Solnado dizia muitas vezes que fazer rir, ou é fácil ou é impossível. A frase é, parece-me, de Woody Allen, e é fulgurantemente verdadeira. Haverá poucas coisas menos engraçadas do que alguém que se esforça para ter graça.

A atitude humorística de Raul Solnado assentava exactamente nessa ausência de esforço. Antes de abrir a boca, Solnado já tinha graça: é divertido que alguém que ama tão profundamente o riso decida simular a maior displicência perante ele. O intérprete Solnado não só está completamente desinteressado da tarefa de fazer rir os outros como parece nem perceber de que é que eles se riem. Não é só um palhaço que não quer fazer palhaçadas, é um palhaço que está relutante em admitir que é um palhaço. De facto, o que surpreende em Raul Solnado não é que um humorista vindo do teatro de revista pudesse ter êxito a fazer um tipo sofisticado de humor absurdo ­ o que é notável é que um humorista cujo estilo era contido e preciso tenha alguma vez tido sucesso no teatro de revista. O cómico cujo estilo estava mais distante do gosto popular foi aquele que obteve um sucesso mais abrangente, o que é espantoso.
A revista teve muitos outros grandes actores, mas nenhum terá sido capaz da mesma versatilidade. Ivone Silva, por exemplo, era uma actriz de revista brilhante. Mas ninguém consegue imaginar Ivone Silva a interpretar o texto da guerra. É, aliás, significativo que Solnado tivesse adoptado como divisa uma ideia de Woody Allen. Allen e Solnado são, na verdade, humoristas aparentados de mais do que uma maneira. A gaguez e a aparência física constituem, em ambos, instrumentos da sedução (da sedução humorística e da outra), e os monólogos de Solnado são o equivalente português das histórias que compõem os números de stand-up comedy de Woody Allen.

Solnado era uma criança sensata, como Falstaff, o herói cómico de Shakespeare, mas sem os seus pavorosos defeitos ­ o que, humoristicamente, era uma desvantagem para Solnado. É muito mais difícil ter graça quando os defeitos não estão à vista e as qualidades são tão evidentes. A ternura não tem piada. A generosidade também não.
E, no entanto, Solnado era terno e generoso. Há várias comédias famosas sobre avarentos, misantropos e hipocondríacos, mas não muitas sobre o tipo de pessoa que se percebia que Solnado era. Conseguir ser humorista apesar daquelas virtudes é mais do que problemático: é quase uma falta de ética.

Philip Larkin escreveu que a coragem não isenta ninguém da sepultura: a morte não é diferente para os que a temem ou para os que a enfrentam. Certo. Mas a vida é. A vida é mais vida para quem se ri da morte do que para quem a teme. Raul Solnado viveu bem. E, por causa dele, todos vivemos melhor.

9:33 Quinta-feira, 13 de Ago de 2009

tirado com todo o gosto da Visão

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

já o alantjano dzia q o Macagaiver era tuga

#1.
Desenrascanço (Portuguese)

Means:

To pull a MacGyver.

This is the art of slapping together a solution to a problem at the last minute, with no advanced planning, and no resources. It's the coat hanger you use to fish your car keys out of the toilet, the emergency mustache you hastily construct out of pubic hair.

What's interesting about desenrascano (literally "to disentangle" yourself out of a bad situation), the Portuguese word for these last-minute solutions, is what is says about their culture.

Where most of us were taught the Boy Scout slogan "be prepared," and are constantly hassled if we don't plan every little thing ahead, the Portuguese value just the opposite.

Coming up with frantic, last-minute improvisations that somehow work is considered one of the most valued skills there; they even teach it in universities, and in the armed forces. They believe this ability to slap together haphazard solutions has been key to their survival over the centuries.

Don't laugh. At one time they managed to build an empire stretching from Brazil to the Philippines this way.

Fuck preparation. They have desenrascanço.


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cathy






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It will worth it


originamente postado aqui

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mto Bom!


Sábado à noite, fui ao teatro. Mas não era uma peça qualquer num teatro qualquer! Foi uma espécie de Cluedo com actores, na casa de Leal da Câmara.

No fim, jogámos com o fantasma da personagem assassinada e saímos de lá todos assombrados...


Uma peça diferente, excelentemente interpretada e produzida.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

750 anos


750

Só!



Acordei há pouco. Quando vi isto, julguei que tinha despertado dum longo processo de hibernação "criogénica"... De para aí 700 anos!!! Belisquei-me, olhei em redor e fui à janela. Os discos voadores ainda não deviam ter acordado, pois não estava nenhum nos céus já bastante claros e limpos. Dorminhocos estes extra-terrestres... Ou afinal, sempre é verdade: eles não existem de todo, e a Nª Sra de Fátima afinal não era verdadeira... Não passava de uma senhora que de tão bela, encandeou os inexperientes olhos dos pastorinhos... Para eles, aquela aparição não podia ser deste mundo... De manhã dá-me para o transcendente...

Tentei perceber o que estava mal: se os meus olhos, se um lapso do cartaz... O cartaz queria dizer 75 e colocaram mais um zero? Afinal os carros só nasceram ontem, há pouco mais de 100 anos... Teria eu nascido já há 800 anos? Estaria eu em 2709 e o cartaz estava mal, com 2009? Não pode ser... O computador ainda funciona e diz-me que não mudei de ano... Terá ele hibernado comigo? Sim porque o computador é uma extensão de mim próprio... No ano 2709, os computadores devem ser placas de gás a orbitar invisíveis à nossa volta, comandados com um simples pensamento e um olhar determinado...
Que trapalhada...

Mas a explicação para esta coisa com um nome no mínimo fantástico é simples e está no
fórum do MotorClássico: trata-se de um evento integrado nas comemorações dos 750 anos da Outorga do Foral de D. Afonso III a Viana do Castelo.

Uffffffffffffff, que alívio!

originalmente postado aqui

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Foz do Sado vista da Arrábida





pela objectiva de Bernardo

Lisboa vista da Arrábida






pela objectiva de Bernardo

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

RAIVA

Não gosto de deitar fora jornais e revistas, sem pelo menos "passar os olhos" por eles.
Por isso os deposito perto do "trono" no qual cago para tudo, para todos os efeitos.
Mais facilmente deito fora um livro qualquer, que comprei à força e sem interesse, enquanto "sócio" do Círculo de Leitores...

E ainda bem que não deitei fora aqueles jornais e revistas, porque teria perdido esta pérola:

«Não gosto de dizer mal de Portugal — será snobismo, mas a secular banalidade desse passatempo irrita-me a cútis. Ainda gosto menos de ouvir dizer mal de Portugal, e nisso sou tão vulgar como uma varina. Foi por isso com intensa vergonha que há três anos, por esta altura, assisti, com um grupo de ingleses, a uma reportagem da BBC onde se demonstrava que Portugal é um país tão pobre que, quando chove, as pontes caem e as pessoas morrem.
Agora, a decisão tomada pelo juiz de instrução Nuno Melo de arquivar o processo de apuramento de responsabilidades na queda da ponte de Entre-os-Rios vem provar que, ao contrário do que tentei explicar aos meus amigos ingleses — que Portugal não correspondia àquela imagem trágica, que aquele acidente era a excepção, funesta mas irrepetível —, tudo isto existe, e tudo isto é mais triste do que o mais velho fado.
«Causas naturais», reza a decisão, como se fosse natural a queda de uma ponte na qual quinze anos antes — quinze anos, senhores! — se detectara uma perigosa erosão. Em vão o povo da terra clamou por uma ponte nova ...
... Afinal, como depois da tragédia se viu na televisão, não era só uma ponte — eram dez, quinze, vinte, inúmeras pontes velhinhas que, por todo o país, estremeciam, até à hora utópica em que valores mais altos não se levantassem.
Se a culpa é afinal da chuva, pergunto qual é a solução: irmos todos a Fátima rezar para que não chova?

Recordemos: o autocarro levava uma colecção de famílias humildes, com muitas crianças e bebés, que haviam partido em busca das amendoeiras em flor do início da Primavera.
Raiva, é o nome de uma das povoações mais desfalcadas pelo inesperado mergulho do autocarro e de três automóveis, causando 59 mortos.
Raiva.
Se fosse ficção, acusar-nos-iam de pecar por redundância.
Mas Portugal é um país redundante — sempre foi essa a sua maior glória, é essa também a causa da sua imobilidade profunda.
Remoemos paixões e iras, lamuriamo-nos e deixamo-nos embalar pela música das nossas próprias lamúrias.
...
Enquanto o povo de Raiva aguardava, em silêncio, nas margens do rio negro, subitamente repletas de ministros e candidatos a ministro, que os corpos mortos dos que mais amavam saíssem da mortalha da água para o cemitério da terra (última esperança, e também essa em muitos casos frustrada), as chuvas arrasaram mais duas pontes — uma perto de Famalicâo, outra de Santo Tirso - embora, por sorte, mais ninguém tivesse morrido.
Os jornais contavam que havia 19 técnicos para inspeccionar as 3.500 pontes do país e sobretudo que, desde a extinção da Junta Autónoma de Estradas, a responsabilidade das pontes andava diluída numa maré de institutos sem competências definidas. Enquanto papéis e queixas boiavam sobre as mesas das repartições, a ponte cedeu, as pessoas morreram.
Amália cantava: «Povo que lavas no rio/ e talhas com teu machado/ as tábuas do teu caixão».
Amália também já morreu, mas o seu fado continua a assombrar-nos.
Trinta anos depois da descoberta da liberdade, vivemos ainda na cinza de um Portugal adiado pelo hábito da ditadura, mãe de toda a desresponsabilizaçâo. »

"Os mortos abandonados" em CRÓNICA FEMININA por INÊS PEDROSA, revista ÚNICA do EXPRESSO, escrito na 3ª fª anterior a 3 de Abril de 2004.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Rock and roll can never die



"Rock and roll can never die" de "Hey Hey, My My" de Neil Young, encaixa-se na perfeição para definir "os Gully".

Mas há cerca de dois anos, seria mais apropriado o mote "Punk's not dead".

"Os Gully", foram crescendo e adaptando as suas sonoridades de acordo com as tendências dos seus membros.

Se no início construíram as suas canções sob uma estética pop e punk, mais tarde adaptaram essas mesmas canções ao hard rock.



Duarte, é o músico da banda que mantém o elo entre compositores e todos os músicos que vão passando pela banda.
Músico de formação clássica, toca todos os instrumentos, mas mantém nos Gully a sua paixão de tenra idade, a bateria.

Os restantes músicos da banda actual, são tecnicamente excelentes.
O vocalista, tem uma qualidade vocal que classificaria de impossível nos genes portugueses. Esquecendo alguns desvios à Axl Rose, faz lembrar nitidamente Ian Gillan, pelas capacidades e pelo timbre.

O EP que "os Gully" lançaram, é a primeira obra de carácter editorial da banda, apesar de ser uma edição de autor.
Outras houve, mas foram edições mais restritas.
Este EP que pode ser ouvido integralmente no GullySpace, é uma escolha ao gosto dos músicos dos Gully, pelo que representam como exercícios.
São óptimas canções de Hard Rock e de Rock'n'Roll.
Outras há comercialmente mais apetecíveis. Serão editadas em LP.

Os Gully, são uma banda de palco. Excelentes executantes, têm um público que se rende às suas performances, dançando e aplaudindo-os efusivamente. Aliás o público, define-se como fan dos Xutos.
Afinal, que melhor apreciação pode ser feita aos Gully que não a de um público que se mantém desde há 30 anos fiel à melhor banda de rock em Portugal?
O resto, são críticas de mau entendedor, de quem não gosta da música e está limitado a um estilo...

Cheers, Gully!

Outra boa apreciação, aqui.
Originalmente postado aqui, mesmo.

a felicidade

em Março de 2005 (suponho):

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e,apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.
Percebo porquê....
Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não.
A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

Não poderia estar mais de acordo.
Neste post, penso exactamente assim.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Serão os toureiros bichas?

Uma coisa que vi e não gostei quando cheguei a Portugal em 1974, foram touradas.
Desde esse 1º momento, sempre me irritaram as touradas.
E sempre achei aquelas danças e aqueles gestos à volta daqueles bichos tão machos, uma coisa abichanada.
Acho que na origem, quem toureava eram gajas...
Depois, devem ter aparecido uns ciumentos para tirar-lhes o lugar...
Gajas a tourear é mto + bonito!
E é muito mais digno para um macho com a majestade dum touro, ser fintado e alfinetado por uma gaja!

Serão os gajos que vão às touradas, bichas?
originalmente escrito algures...

o fim do romantismo dos aeroportos



Em 1974, não sabíamos o que fazer.
Estávamos em Angola há 11 anos e há 7 que não voltávamos a Portugal.

No alto dos meus 13 anos, não imaginava viver fora de Luanda, cidade que todos amávamos profundamente.
Porém os traços incandescentes das primeiras trocas de fogo sobre o Norte de Luanda, levou-nos a ir para Lisboa à experiência...
Comprámos bilhetes para poucos dias depois, com algum favor.
As viagens de avião sempre tinham sido agradáveis para mim, até então...
Mas a TAP sobrecarregada de trabalho, fretou alguns serviços a outras companhias mais ou menos conhecidas.
Calhou-nos uma desconhecida, a BWA "Bahamas World Airways", com um Boeing 707 velho, mais curto que o normal e com menor autonomia.
Soube depois, que esta companhia estava em processo de liquidação e que deixou de existir poucas semanas mais tarde.
As cadeiras eram desconfortáveis e o pessoal de bordo ineficaz.
Fizemos escala no Sal, Cabo Verde, para reabastecer o avião.
A viagem foi longa e cansativa. À chegada a Lisboa, estivemos quase uma hora à espera de ordem para aterrar.
Foi um sofrimento interminável, com os poços de ar constantes e ventos habituais em pleno Verão sobre Lisboa.

Sempre gostei de aviões e do ambiente dos aeroportos.
Em Luanda, faziam-se serões na esplanada do aeroporto.
Aquele espaço e aquele ambiente eram muito agradáveis e elegantes.
Até o movimento próprio do aeroporto, dos passageiros, das mercadorias, das chegadas e das partidas espaçadas e ordenadas dos aviões era elegante.
Sei agora, que esse ambiente corresponde na linguagem dos apreciadores das viagens de avião, à "época romântica da aviação".

Pois à chegada ao aeroporto de Lisboa, e depois daquela exasperante experiência até aterrar, entrámos no que parecia o caos do movimento e do ruído.
Depois, ficámos em casa de uns tios em Sacavém por umas semanas, até decidirmos o que fazer.
Não sabíamos se íamos ficar 1 mês ou 1 ano.
Durante essas talvez duas semanas, aquele ruído dos aviões que eu achava encantador, tornou-se insuportável pela proximidade da casa onde estávamos, do aeroporto.
É preciso lembrar que naquela altura, os aviões propagavam o seu ruído, sem exagero, 10 vezes mais do que agora. Hoje, naquele local de Sacavém, quase não se ouve 1 avião...

Em 1975, concluímos que não estávamos no nosso mundo e decidimos regressar a Luanda. Chegámos na noite de 2ª para 3ª fª de Carnaval. Tinha começado a luta sangrenta entre o MPLA e a FNLA, o recolher obrigatório, a falta de alimentos e de bens essenciais...
originalmente postado aqui, mesmo

terça-feira, 15 de julho de 2008

de férias passadas

Cerca de 1985, Costa Vicentina, Alentejo.
Caminhámos pela praia talvez 15Km, de Porto Covo a Milfontes. Com alguns intervalos para mergulhar num mar aberto, algo bravo e puro. Durante todo o percurso, quase não se via viv'alma. Apenas alguns grupos de campistas que mais pareciam índios, com pinturas à base de carvão nas caras e nos corpos, e "tendas" de canas e farrapos. Parecia uma cena MadMax pós apocalipse...

Milfontes era (ainda deve ser) um lugar sem povoamento. Escarpas sem praia e falésias, junto ao mar. Tem um pequeno porto de pesca algo abandonado e nada mais.
A característica da zona que lhe deu nome, vem das cascatas que saem dessas escarpas. São resultado de charcos e lençóis de água "quebrados" nessas escarpas, que proporcionam belíssimos duches e viveiros de agriões.

Perto da Zambujeira do Mar, combinámos jantar "a melhor caldeirada do Alentejo", o que significa a melhor caldeirada do Mundo.
No meio de nada, por caminhos tortuosos e já a escurecer, demos a um enorme barracão com um barulhento gerador eléctrico a Diesel a dar as Boas Vindas.
O sítio era magnífico, sobre uma altíssima escarpa junto ao Atlântico.
Ali perto, o único sinal de presença humana, era uma pequena enseada com pequenas embarcações de pesca em abrigo.
Veio então a Caldeirada de peixe, que era uma coisa divinal.
Éramos 6 portugueses e 6 alemães. Nós, os tugas, estávamos a meio do festim, quando notámos que os alemães não comiam...
Os pobres olhavam enojados para os pratos, com repulsa pelo aspecto do tamboril e do cação, estragavam o resto dos "bichos" que tinham um ar mais "Europeu"...
E justificaram então, que na Alemanha só compram peixe arranjado e que nunca viram nem comeram peixe por arranjar no prato...
Com as melhores das intenções, e porque ali não havia alternativa (ou peixe, ou nada) tentávamos mostrar como se usavam os talheres e como se come o peixe. Germans learning to eat with the portugiesischen? Nein. No way! Alemães a desmanchar um bicho no prato? Que coisa primitiva para gente civilizada e desenvolvida...
O "R tuga" que é enorme, levanta-se e dirige-se furioso aos alemães: Are you seeing people in that table? They're Italians and they make cars and computers. And they're eating CAHLDEIRAHDAH.
originalmente postado algures em 2008-02-20

domingo, 29 de junho de 2008

Os urbanos



Urbanos, é uma expressão de um amigo azeitonense de longa data.

Chama "urbanos" às "pessoas da cidade" que vão para Azeitão ao Fim-De-Semana.
Porque os há que para lá vão como se fossem para uma festa, enterrando os sapatinhos da cidade na lama do campo, etiquetou-nos a todos dessa maneira: "estes urbanos que não percebem nada do campo".
Uma vez, há cerca de 25 anos, convidei alguns amigos a atravessar na 6ª fª Santa a Serra da Arrábida, uma tradição ancestral da região. Para meu próprio espanto, uma das minhas amigas ia de saltos altos e vestida como se fosse para a discoteca.
Outra vez, para a apanha da azeitona, apareceu uma também de saltos altos e casaco de peles.
Quando venho para Lisboa e me despeço desse amigo, vem sempre com esta: "então, porque não dormes cá e vais amanhã? Estes urbanos estão sempre com pressa"...
E "os urbanos" são os culpados do trânsito que ele abomina, mais a falta de lugares para parquear o carro, mais os parquímetros que estão sempre a pedir mais moedas: "põem estas máquinas a falar com a gente a pedir mais dinheiro... Estes urbanos agora têm máquinas para falar..." E desata a colocar moedas que dão até à manhã do dia seguinte...
E diz quanto a alguns jeans: "estes urbanos vão às lojas comprar roupas caras já gastas..."

brasucas fatelas

Não percebo a mania dos brasileiros estarem sempre a falar.
Falam a toda a hora sobre tudo e coisa nenhuma.
Parecem papagaios. E acredito firmemente, que tal como os papagaios, eles falam sem dar por isso e nem se apercebem do que dizem. Falam por uma necessidade incompreensível. Sejam dentistas, cabeleireiros, operários de armazéns, sejam o que forem. Falam pelos cotovelos.
"Ganhei" uns vizinhos brasileiros no prédio ao lado. Também eles falam que se fartam. A mulher, então, parece uma buzina. Não fala: guincha.
Ontem, tiveram visitas de outros brasileiros que chegaram a casa ao mesmo tempo que eu. E falavam alto a torto e a direito, como se estivessem a trautear um samba qualquer.
Não percebo como os brasileiros são assim. As gentes que lhes deu origem, foram sobretudo angolanos, portugueses e os nativos "índios". Destes, nenhum povo "palra" tanto como eles. Os "índios" então, são quase mudos. Claro que para o Brasil, também foram italianos e outros. Mas mesmo assim... Acho que foram contagiados pelas araras, só pode...
Então um dos visitantes, ao ver o anfitrião a pegar na chave para abrir a porta do prédio, exclama: "Você ainda usa a chave? Aqui não tem código não? Tem uns prédios com código aqui para abrir a porta! Abrem a porta com um codigozinho, viu? Não tem código, não?"
IRRA, exclamei para dentro! E aquela voz irritante, de vez em quando ecoava dentro de mim, qual música pimba: "Não tem código, não?" E continuava: "você tem de ter código, viu?" Até à histeria: VOCÊ TEIN DI TERRRR CÓDIGO, TEIN DI TERRR CÓDIGO, VIU?